A escola traz, em verdade, pouca influência direta sobre as atitudes da criança que seja independente de seu background [formação] e de seu contexto social.
Publicado em 18/08/2008 As expectativas dos pais e o rendimento escolar dos filhos Leo Fraiman
A escola traz, em verdade, pouca influência direta sobre as atitudes da criança que seja independente de seu background [formação] e de seu contexto social¹. O ambiente escolar é, ao mesmo tempo, reflexo do contexto social no qual o aluno está inserido, bem como campo fértil de suas possíveis transformações. Causa e efeito do que nele ocorre. É nesse campo vivencial que o conhecimento, ferramenta básica para a liberdade de expressão, pode ser formado e moldado, ou bloqueado e cerceado.
É dentro da escola que podem ser guardadas e treinadas as habilidades de um novo cidadão, de um novo homem.
Um psicólogo norte-americano² estudou 727 crianças de escolas públicas, em Michigan, para descobrir o quanto as expectativas dos pais realmente influenciavam nos resultados das crianças. Usando de análise correlacional, entre resultados de complementação de sentenças, notas obtidas por desempenho e atitudes observadas, o autor demonstrou que as crianças que percebiam apoio e expectativas de seus pais (em comparação com as que não sentiam apoio/expectativa, ou sentiam-no em baixo nível):
- usavam mais de suas habilidades (comparando seus QI’s com os das outras crianças); - tinham maior auto-estima; - tinham atitudes mais positivas perante a escola; - se ajustavam psicologicamente melhor na escola.
Dois psicólogos ingleses³ realizaram um estudo na Inglaterra no qual foram analisadas 5.000 crianças de escolas elementares. A partir dos registros dos professores acerca do interesse percebido pelo que as crianças realizavam de tarefas em casa, e a partir do número de vezes que os pais visitavam a escola, foram classificadas três formas de participação: alta, média e baixa. Desde crianças de oito, até as de onze anos de idade, os níveis mais altos obtidos nos testes de inteligência foram as de crianças cujos pais mostraram maior interesse. Foram percebidas correlações diretas entre a presença dos pais em reuniões e os esforços das crianças (relativos ao seu potencial), comportamentos positivos em classe (perante os colegas), assim como uma maior expressividade por parte dessas crianças filhas de pais mais atentos e presentes.
Os mesmos resultados foram obtidos em crianças de segundo grau, em estudo similar.
Ao examinarmos a relação entre as expectativas dos pais e as atitudes das crianças na escola, concluímos que, quanto maior as expectativas dos pais, mais as crianças se mostravam positivamente favoráveis perante a escola. Quanto mais a criança pensar e sentir que seus pais se importam e esperam dela um bom rendimento, maior a tendência de a criança desenvolver uma atitude positiva geral em sua vida escolar.
Dois especialistas4 na área da educação realizaram estudos em que os pais foram instruídos a reforçar em casa, da mesma forma que os professores, os comportamentos adequados esperados dos alunos (por exemplo, realizar uma tarefa de casa ou um trabalho bem feito). O que se observou foi um ganho significativo nas atitudes consideradas adequadas em sala de aula por parte dessas crianças cujos pais foram orientados. Pais bem orientados podem produzir crianças bem orientadas. Está provado!
Um outro especialista5 realizou um estudo no qual os pais foram treinados a se tornarem mais envolvidos na educação de seus filhos. Esses pais passavam a entender melhor os comportamentos de seus filhos e a encorajar os esforços realizados nas salas de aula. As crianças filhas desses pais mostraram rendimento significativamente maior em testes de motivação à leitura, auto-estima em atitudes acadêmicas e resultados de leitura, do que as crianças filhas de pais que não tiveram esse treinamento. Esse mesmo autor também realizou estudos com pais que freqüentaram cursos de finais de semana para discutirem formas de motivar seus filhos, juntamente com os professores. Os pais assinavam um termo de cooperação, no qual estava sendo solicitado que:
a) insistissem em que seus filhos estudassem por um certo tempo a cada dia;
b) visitassem a escola para falar com os professores ao menos uma vez durante o semestre;
c) freqüentassem as reuniões de pais e mestres sempre que possível;
d) avaliassem, acompanhando, as notas dos filhos e discutindo-as com eles.
Os filhos desses pais mostraram significativos ganhos em termos de seu desempenho escolar global. Uma família que se envolve, e que apóia os esforços educacionais, faz com que a criança sinta uma segurança que lhe ajuda a enfrentar os desafios de desenvolver-se e crescer, tanto intelectual como afetivamente, tornando-se mais autônoma e confiante para realizar sua carreira acadêmica.
Parece claro, portanto, que, quando a escola abre espaço para orientar os pais, de forma a co-operarem junto a ela, todos podem sair ganhando. Muitas outras pesquisas atestam resultados semelhantes aos citados aqui. O que se apresentou foi apenas uma pequena mostra do quão benéficos podem ser a participação e o envolvimento dos pais na educação, bem como a relação entre a expectativa dos pais e o rendimento escolar dos filhos.
Pais e professores precisam aprender a conviver e a se respeitar como eixos de um mesmo processo. É preciso que se conscientizem de que são verdadeiramente os modelos fundamentais na mente dos jovens que lideram. Não há mais tempo nem lugar para as relações entre pais e professores continuarem distantes, frias, competitivas, gerando na mente dos alunos a sensação de falta de rumo e parâmetros morais estáveis e confiáveis. Chega de empurra-empurra no jogo das responsabilidades. Este deve dar lugar ao trabalho de equipe, ao ganha-ganha.
Nossos jovens precisam de lideranças mais sadias, ativas, coerentes, conscientes e comprometidas umas com as outras. Pais e professores com um mesmo objetivo e tarefas complementares.
O compromisso é com uma postura mais ética e menos competitiva, uns em relação aos outros. Dessa união, alguma segurança poderá ser vislumbrada por uma juventude já tão sem projeto, sem modelos e referências.
Já não há mais tempo a perder frente à falta de vínculos positivos, produtivos e comprometidos entre os pais e a escola, e entre os pais e os filhos. A escola deve buscar orientar esse processo, pois desse vínculo depende o rendimento, e mesmo o andamento escolar de seus alunos. Que isso fique bem claro. HÁ MUITO QUE SE FAZER. MÃOS NA MASSA!
Nossa expectativa é alta: em relação a você, pai e educador.
Léo Fraiman Psicoterapeuta e Educador
A escola traz, em verdade, pouca influência direta sobre as atitudes da criança que seja independente de seu background [formação] e de seu contexto social.
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