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Uma manha daqui, um choro dali, uma frase de efeito fulminante... Existem crianças que mal aprendem a falar e conseguem desarmar os pais. Se a chantagem emocional se instalou na sua casa, é hora de rever a relação com seus filhos.

Publicado em 08/04/2009

Pequenos Chantagistas

 

Uma manha daqui, um choro dali, uma frase de efeito fulminante... Existem crianças que mal aprendem a falar e conseguem desarmar os pais. Se a chantagem emocional se instalou na sua casa, é hora de rever a relação com seus filhos.

 

De pai para filho

 

         Crianças pequenas usam, naturalmente, esse tipo de artifício para conseguir o que desejam, mas a falta de limites ajuda a perpetuar esse comportamento — quando não são os próprios pais que dão o mau exemplo. “Se você se comportar, prometo dar um sorvete!” é uma frase usada por muitos adultos, principalmente diante de crises em locais públicos, como shoppings, padarias, supermercados e festas infantis.

         É preciso que os pais entendam que a criança é capaz de aguentar suas frustrações sem ganhar nada em troca, e que pode (e deve) aprender a esperar. Mas os profissionais são unânimes ao afirmar que os adultos podem, sim, recompensar seus filhos diante de alguma conquista feita por eles. Contudo, esses presentes não devem ser materiais. “Diante de uma situação em que a criança seja merecedora de recompensa, substitua gratificações materiais por um carinho, história ou uma sessão de DVD com ela”, diz Paula Pantaleoni Amaral, psicopedagoga, e diretora pedagógica.

 

         Mariana, de 4 anos, não come se não ganhar um chocolate como recompensa. Pedro, um ano mais velho, concorda em terminar a lição de casa desde que possa assistir à televisão depois. Aos 6 anos, Ana diz que só arrumará os brinquedos se puder dormir na casa da colega. Situações como essas — em maior ou menor grau — fazem parte da rotina de praticamente todos os pais com filhos pequenos, já que é comum — embora não seja saudável — as crianças tentarem negociar com os adultos na hora de cumprir obrigações.

         A chantagem emocional é uma forma infantilizada de se conseguir algo, despertando no outro sentimentos como culpa, medo e, até mesmo, senso de dever. De acordo com Paula, essa é uma fase com começo, meio e fim, já que, com o tempo, os pequenos aprendem a expressar seu descontentamento de outras formas e a aceitar as respostas negativas. “Ao contrário do que os adultos imaginam, a dor expressada pela criança não é insuportável. Trata-se de uma etapa do amadurecimento que, se bem-trabalhada, contribui para a formação de um adulto equilibrado.”

         Nos primeiros cinco anos de vida, as chantagens emocionais são usuais e, mesmo que a criança ainda não saiba falar tudo, ela tenta “ganhar” os pais com comportamentos não-verbais, como choro, birra, sorrisos e até cara de abandono. “Nessa fase, é natural haver esse tipo de chantagem, visto que, quanto menor a criança, mais ela acha que tem de ser satisfeita em seus desejos. Os pequenos são muito egocêntricos”, explica a psicóloga Juliana Morillo, especialista em terapia familiar e de casais.

         “Se seu filho de 2 anos, por exemplo, pegar a chave do carro e começar a correr, qual será a sua atitude? Certamente, você irá tirá-la de suas mãos, afirmando que ele não pode pegá-la. Por outro lado, o pequeno, que estava se divertindo, não irá gostar de sua conduta. Então surgem episódios de choro, berreiro e, inclusive, a criança pode se jogar no chão. Neste momento, a melhor estratégia é ignorar. Não deixe chegar ao ponto de ela bater e gritar, mas também não ceda, nem tente argumentar e discutir a estratégia. Seja apenas firme”, ensina Paula.

 

         É justamente nesta fase que os pais devem introduzir o grande mocinho da história: o limite. Como a chantagem inicialmente acontece porque a criança quer fazer conquistas, mas ainda não sabe lidar com suas frustrações, é o limite colocado pelos pais que a ajudará a entender as regras básicas de funcionamento da vida, ou seja, que não se pode ter tudo, nem a toda hora. “Quando o limite falha, a criança passa a desenvolver um tipo mais intencional de chantagem”, diz Juliana. “E, então, a questão se complica, fugindo da normalidade.”

         O grande problema é que muitos pais veem no limite um vilão, algo que causa sofrimento ao filho. E é justamente o contrário. “Alguns adultos relutam em estabelecer regras para seus filhos porque não querem que se sintam controlados ou pressionados por expectativas. E como não gostam de se sentir tolhidos por outras pessoas, os pais deduzem que as crianças devam sentir a mesma coisa”, fala a psicopedagoga Paula. Porém, as regras só fortalecem a segurança dos pequenos.

 

 

 

 

Regras para os adultos

 

         Mas por que é tão difícil, para os pais, colocar limites? Paula aponta duas razões. Ela acredita que alguns cedem o tempo todo porque é mais fácil agir assim do que ter de lidar com a resistência da criança à regra imposta. Outros cedem porque não conseguem conviver com o fato de seus filhos ficarem com raiva deles. “Em alguns momentos, é inevitável que os pequenos tenham raiva dos pais, mas as crianças não guardam rancor por tanto tempo quanto os adultos”, diz a psicopedagoga. “E também não existem filhos que nunca tenham sido contrariados”.

         São esses pais, os inseguros, que caem mais facilmente na armadilha das célebres frases “Eu não gosto mais de você” e “Eu queria ter a mãe do meu amigo”. Mas é preciso notar que, diferentemente de um adulto, uma criança não sabe em profundidade o que essas palavras querem dizer. Ela apenas encontra, nesse tipo de afirmação, a chave certa para conseguir o que quer.

         Pais que trabalham fora e se cobram por não passar mais tempo com os filhos, e casais que se culpam por ter se separado, são alvos fáceis desse tipo de chantagem que só ocorre porque as crianças sabem disso. “Aqueles pais que se sentem inseguros com relação ao amor que dão para o filho acabam cedendo nesses casos, tornando-se presas fáceis para as crianças. Que são perspicazes e percebem os pontos fracos dos adultos”, diz Juliana.

         Paula Amaral explica que é necessário que os pais tenham certeza de que sua decisão é a melhor para o filho. “Se você permitir que seu bebê engatinhe no chão gelado porque ele quer assim, mesmo sabendo que poderá ficar gripado, tenha certeza de que essa não será a primeira nem a última chantagem pela qual você irá passar. A negativa pode levá-lo ao choro, mas é inadequado deixá-lo fazer o que quiser se você sabe que é errado”, ensina. “Por outro lado, se os pais estão seguros das suas regras, o filho não apenas obedecerá, como, também, se sentirá protegido”, fala Juliana.

 

 

Bola de neve

 

         Se os pais cedem, levam a criança a acreditar que, da próxima vez que quiser alguma coisa, é só repetir o mesmo comportamento. “É neste momento que se instala a chantagem, pois os adultos passam a negociar com seus filhos”, diz Paula Amaral.

         Se a chantagem se apresenta como uma relação de causa e efeito, as consequências normalmente são negativas. E, se a vantagem ficar para a criança, ela pode entender a prática, virando-se contra os pais. “Diante de uma birra, ou até de argumentações feitas pela criança, utilize as palavras mágicas ‘Vou contar até três e você irá decidir’, evitando a chantagem e levando-a a fazer as escolhas”, ensina Paula. “Dessa forma, atribui-se responsabilidade à decisão do pequeno.”

         Contudo, também é normal se seu filho tentar “descobrir” o que acontece depois que você contar até três — numa tentativa de desafiar os pais. “É quando chega a hora de colocar em prática os limites, sabendo dizer ‘não’ em vez de se render a tudo que a criança quer”, diz a especialista.

 

Converse, mas seja firme

 

         “Conversar funciona - desde que seja de maneira firme, com autoridade, e sem que a criança possa opinar. ‘A partir de amanhã, você vai para a escola porque todas as crianças vão. Isso é uma obrigação, e você precisa aprender. Entenda que seu filho irá chorar, espernear ou, até mesmo, ficar doente. Não tem problema. É importante que você não ceda, mantendo a firmeza”, explica Juliana.

         “Diante da chantagem, os pais podem explicar para o filho o que é certo, mas pontualmente. Se a criança disser ‘Odeio você e quero morar com a minha avó’, é necessário responder: ‘Você não me odeia, e sim gosta de mim, mas quer conquistar as coisas sem se esforçar, e isso não pode’. É preciso mostrar que vocês são mais fortes emocionalmente do que as crianças”, diz Juliana.

         “No momento de uma chantagem escandalosa, abaixe-se, ficando na altura do pequeno, e, olhando nos seus olhos, diga, calmamente e com firmeza, que não aceita aquele comportamento, e que, naquele momento, não fará o que está sendo imposto por ele”, afirma Paula Pantaleoni Amaral. Se a cena acontecer em público, saia do local e tente acalmá-lo. Depois, explique que vocês deixaram o lugar porque não concordou com seu comportamento. “Da próxima vez, ele pensará melhor antes de ter essa reação”, conclui a especialista.

Uma manha daqui, um choro dali, uma frase de efeito fulminante... Existem crianças que mal aprendem a falar e conseguem desarmar os pais. Se a chantagem emocional se instalou na sua casa, é hora de rever a relação com seus filhos.

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